Extraído: http://www.vineyardrecords.co.uk/web/accessibility-in-worship/
Tradução: Priscilla Saura priscilla@saura.com.br

No meu último artigo, falei sobre intimidade, que considero o mais alto princípio na adoração. Intimidade no seu conceito mais simples significa que nós cantamos para Deus. Nós fazemos isso porque o clamor do nosso coração tem sido sempre: “Quando eu poderei ir e encontrar-me com Deus? Quando poderemos permanecer em Sua presença e apenas estar com Ele?” Desta vez, eu gostaria de dar uma breve olhada no que eu considero o segundo princípio mais importante como líder de adoração: acessibilidade.
Deixe-me confessar algo. Alguns anos atrás eu não teria escrito o que vou escrever agora. E eu não acreditaria nisso também, se Deus não tivesse me dado o precioso presente, que é a minha esposa, para eu caminhar e aprender com ela.
Nos últimos anos nossa sociedade tem feito grandes avanços para tornar espaços públicos mais acessíveis àqueles com necessidades especiais. Pessoas com cadeiras de rodas, dificuldades de audição, etc. podem desfrutar de mais eventos e lugares do que jamais participaram. Eu acho isso ótimo! Às vezes, como um líder de adoração, eu preciso fazer algumas das mesmas perguntas que trouxeram mudanças para o acesso aos lugares onde vivemos. A nossa adoração é acessível a todos, é acessível para aqueles que não são primariamente artísticos ou místicos?
Eu me recordo de um momento de adoração muito claramente, que aconteceu há alguns anos atrás. Minha esposa, eu e vários amigos participávamos de uma noite especial de adoração. O líder e a banda estavam nos conduzindo em adoração através de algumas músicas e sons bastante abstratos. Eu estava tendo um momento maravilhoso; todos os aspectos inovadores e criativos da minha personalidade estavam sendo estimulados. Após um tempo de êxtase de adoração, com os olhos fechados, eu abri-os e olhei para minha esposa. Ela olhou para mim com um olhar que parecia dizer: “podemos ir agora?”. Eu nunca esqueci aquele momento. O que foi significativo para mim (e para o líder da adoração e os músicos) não foi necessariamente significativo e acessível para todos os presentes. Muitos de vocês são exatamente assim. Você deseja encontrar-se com Deus. Você ama adorar, mas a menos que alguém conduza você através de algumas músicas que você consegue cantar e encontrar significado, você potencialmente será deixado de lado.
Isto significa que as vezes nós precisamos de algo chamado moderação na adoração. Eu sei que essa não é um apalavra popular. Alguns anos atrás depois que o filme “Coração Valente” estreou uma das coisas mais legais a fazer era gritar “LIBERDADE” (freedom, no original, em referência ao último grito do personagem logo antes de morrer) na adoração… Às vezes eu tenho vontade de gritar no meio da adoração DISCIPLINA… MODERAÇÃO!!! Não se preocupe você que é mais entusiasmado, fervoroso! Se tivéssemos tempo poderíamos ter uma longa discussão sobre a necessidade de mais fervor nas nossas vidas e na nossa adoração. Na verdade para ter adoração real você precisa de ambos: fervor e moderação. E para compor música de adoração, você não conseguirá nada se não possuir ambos. Mas nós temos que olhar atentamente para a moderação. Moderação é o eixo principal quando se fala em compor músicas que os outros possam seguir e participar. Deixe-me pausar aqui um momento e dar algumas dicas para líderes de adoração sobre moderação na adoração.
Moderação é escolher canções que falam o que a maioria das pessoas reunidas quer dizer a Deus.

Moderação é a disciplina de não tocar ou cantar todo o tempo (isto é em especial para todos os membros de equipes de adoração) se você preenche todos os espaços com suas “coisas”, a música não toma fôlego e a congregação se sente carregada.

Moderação é a compreensão de que as notas que você não toca (e as palavras que você não canta) são tão importantes quanto aquelas que você toca e canta.

Moderação é se ater a canção do jeito que ela foi escrita, sem estar sempre acrescentando toneladas de enfeites que os outros não conseguem seguir ou cantar.

E com frequência precisamos escolher músicas e canções que não são necessariamente músicas feitas por músicos (aqueles de vocês que são músicos vão saber o que eu quero dizer). Às vezes isto envolve alguma dor e sacrifício dos líderes de adoração e por parte dos músicos. Houve momentos em que eu senti que precisávamos cantar uma canção em particular, e dentro de mim um cabo de guerra invisível começava: “Não tem jeito, eu estou cantando aquela simples canção de novo e excessivamente… Senhor, o que você quer?”
Normalmente eu percebo que a satisfação de sentir que as pessoas estão se conectando com Deus, é mais preciosa do que fazer o que eu queria fazer. Eu não estou dizendo que moderação na adoração é fácil, eu não estou dizendo que ela vai sempre parecer adequada para você, como o líder da adoração. O que eu estou dizendo é que isto é o certo a fazer. Se nós perdemos a acessibilidade, nós vamos eventualmente perder pessoas, e talvez perder também a experiência preciosa da adoração íntima em conjunto.
Deixe-me dizer mais uma coisa importante sobre acessibilidade, algo que podemos facilmente esquecer. Se adoração é encontrar-se com Deus, nós precisamos nos lembrar que Deus quer ter participação ativa em nosso tempo juntos.

Assim, precisamos dar à Ele espaço para entrar, para falar uma palavra as pessoas reunidas ou uma palavra individual. Talvez Ele apenas queira vir com Sua presença e deixar-nos descansar n’Ele. Eu amo a quietude e o sossego quando Deus está presente. O que mais nós filhos e filhas, criados à imagem de Deus podemos querer?

Mas não deixemos as pessoas fora desse espaço, como alguém numa cadeira de rodas que não pode entrar num prédio por que nós não nos preocupamos o suficiente para torná-lo acessível a ela.
Vamos criar uma maneira para que todos possam experimentar intimidade na adoração juntos.

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